Cultura

Há 80 anos, ataque a Pearl Harbor colocou os EUA na Segunda Guerra Mundial

Além de levar os americanos a combaterem o fascismo, o ataque japonês ao arquipélago do Havaí ajudou a criar o domínio militar dos EUA sobre o mundo

Por João Paulo Martins  em 07 de dezembro de 2021

O encouraçado USS Arizona foi um dos navios da Marinha americana destruídos no ataque a Pearl Harbor em 1941 (Foto: Pixabay)

 

Há 80 anos, Dorinda Makanaonalani Nicholson, então com 6 anos, estava tomando café da manhã de domingo em casa na base aérea americana de Pan American, no Havaí, quando as paredes começaram a tremer.

Era 7 de dezembro de 1941 e aviões estavam voando baixo.

Ela conta o jornal americano USA Today que se lembra do pai (civil) comentando que era estranho o Exército e a Marinha realizarem voos de treinamento em pleno domingo. Eles correram para fora e viram bombardeiros japoneses raspando as copas das árvores ao longo do arquipélago havaiano de Pearl Harbor.

“Eu podia ver os pilotos. Eles estavam voando baixo e perto da gente. Não sabia na época que eram torpedeiros”, conta Nicholson, que está com 86, ao periódico.

Logo, as paredes da cozinha da família ficaram cravejadas de balas. Estilhaços se espalharam pelo jardim da entrada. A idosa ainda carrega como lembrança uma bala que ficou alojada no telefone público que ficava do lado de fora.

Nesta terça (7/12), o mundo lembra as oito décadas do ataque japonês a Pearl Harbor. A data mudou o curso da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e a vida da população dos Estados Unidos.

 

Imagem capturada por um avião japonês durante o ataque de torpedo a navios na ilha Ford, logo após o início do ataque a Pearl Harbor (Foto: Wikimedia/Imperial Japanese Navy/U.S. Navy/Creative Commons)

 

Quando centenas de aviões japoneses bombardearam militares americanos e civis no arquipélago do Havaí, matando mais de 2.400, a América era uma nação “isolada, quieta e retirada”, diz o escritor Craig Nelson, autor do livro Pearl Harbor: da Infâmia à Grandeza, publicado em 2016.

Os eventos daquele dia, apelidados de “uma data que viverá na infâmia” pelo então presidente Franklin D. Roosevelt, fizeram os americanos entrarem na Segunda Guerra, dando início a décadas de influência global dos EUA, lembra o USA Today.

O ataque da Marinha imperial japonesa a Pearl Harbor fez com que os americanos “se unissem” para combater o fascismo, diz Nelson em sua obra, citado pelo jornal. Mais tarde, na Guerra Fria (1947-1989), o país travou uma luta global contra o comunismo. Mais recentemente, as guerras no Iraque e no Afeganistão expandiram ainda mais o alcance global dos militares dos EUA.

Dorina Nicholson afirma que a memória coletiva de Pearl Harbor e do impacto da Segunda Guerra está desaparecendo. “Um soldado que morreu representa uma mãe, um pai e um irmão. Quero que as pessoas não esqueçam o que aconteceu com aqueles que ficaram para trás”, comenta a americana ao periódico.

Ela afirma que as pessoas ficaram chocadas com o bombardeio em 1941 da mesma forma que o mundo ficou chocado pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quase 60 anos depois.

Mas em Pearl Harbor, Nicholson lembra que em Pearl Harbor, precisou ficar escondida numa plantação de açúcar em Waipahu; foi instalada a lei marcial no Havaí; e sua família não podia retornar para casa na península de Waipi’o devido ao risco das bombas não detonadas.

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