Cultura

Festival Burning Man “não oficial” deve atrair 20.000 pessoas

Enquanto o famoso evento do deserto de Black Rock, nos EUA, continua sendo virtual em 2021, muitos fãs decidiram festejar presencialmente, apesar da covid-19

Por João Paulo Martins  em 31 de agosto de 2021

Quem tiver um óculos de realidade virtual poderá melhorar a experiência do festival Burning Man este ano (Foto: Burningman.org/Reprodução)

O famoso festival de contracultura Burning Man, que nos últimos anos atraiu dezenas de milhares de pessoas ao deserto de Black Rock, no estado de Nevada (EUA), este ano será virtual de novo, mas muitos fãs insistem em ir ao local original, informa o jornal americano New York Post.

Em abril, os organizadores do festival anunciaram que o evento presencial de 2021 estava cancelado devido à pandemia de covid-19. Por sua vez, a versão online começou no dia 27 de agosto e os participantes podem até usar óculos de realidade virtual para “replicar” a experiência que teriam in loco.

Segundo o jornal, é uma experiência bem melhor que a do evento virtual do ano passado, que foi realizado em um mês e gerou confusão com alguns participantes incapazes de descobrir como entrar nos diferentes ambientes digitais.

“Melhoramos a tecnologia porque já tivemos um ano e meio”, afirma Colette Crespin, diretora de Experiências Virtuais do Projeto Burning Man, ao New York Post.

Para os interessados, a boa notícia é que a experiência virtual do festival é gratuita (normalmente custa US$ 500 por pessoa ou cerca de R$ 2.575) e conseguiu atrair milhares de participantes.

 

Confira um “tour” pelos cenários virtuais do festival:

No ano passado, apesar da interface mais “confusa”, o periódico americano afirma que compareceram ao Burning Man cerca de 500.000 internautas. O último evento físico, em 2019, recebeu 80.000 pessoas.

Mas existem algumas coisas que não podem ser replicadas online.

“Essas pessoas ‘virtuais’ têm seus conclaves e grupos, e isso é legal. Mas não é a mesma coisa. Aqui, posso ir a um bar e pegar uma dose grátis”, comenta Larry DeVincenzi, dono de um bar em Reno, que fica a cerca de 186 km do local original do festival, em entrevista ao New York Post. DeVincenzi está participando do “evento não oficial” presencial.

O jornal revela que milhares de pessoas estão indo ao deserto de Black Rock, apesar do Burning Man ser virtual. A estimativa é de que até 20.000 pessoas visitem o local no primeiro fim de semana de setembro.

De acordo com o New York Post, essas pessoas consideram o evento não oficial como um “retorno às raízes do Burning Man”, ou seja, exaltando o movimento de contracultura em que o dinheiro é evitado e a inclusão é exaltada.

“Não estamos dizendo para as pessoas não irem. Mas não acho que você deva ir se não for um ‘burner” [apelido do frequentador assíduo do festival] experiente. E se você foi em 1996, quando respeitávamos os perigos do deserto e o esforço comunitário era importante, então este é o seu ano”, afirma Marian Goodell, CEO da ONG Burning Man, em entrevista ao periódico americano.

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