Ciência

Pinturas rupestres mais antigas da história podem desaparecer e clima é o principal culpado

Cientistas descobriram as mudanças climáticas afetam as paredes das cavernas de Sulawesi, na Indonésia, causando a destruição das artes milenares

Por João Paulo Martins  em 07 de junho de 2021

As pinturas descobertas nas cavernas de Sulawesi, na Indonésia, datam de mais de 40.000 anos e estão em risco de sumirem devido à mudança climática  (Foto: A. A. Oktaviana, ARKENAS/Griffith University/Divulgação)

Algumas das pinturas rupestres mais antigas da história da humanidade estão se desintegrando, dizem os cientistas. E a mudança climática pode estar acelerando o processo, segundo o estudo publicado dia 13 de maio na revista científica Scientific Reports.

Localizadas na ilha Sulawesi, em Wallacea, na Indonésia, as artes milenares das cavernas indonésias estão se degradando à medida que pedaços de rocha se desprendem das paredes. É uma perda tremenda para nossa história, já que algumas delas, que retratam de tudo, de animais a figuras humanas e símbolos abstratos, datam de cerca de 40.000 anos.

De acordo com os pesquisadores, cristais de sal que se acumulam nas paredes são uma parte importante do problema. Esses depósitos penetram nas paredes da caverna e, em seguida, expandem e se contraem à medida que as temperaturas sobem e descem. O processo faz com que a rocha se desintegre lentamente.

(Foto: A. A. Oktaviana, ARKENAS/Griffith University/Divulgação)
(Foto: A. A. Oktaviana, ARKENAS/Griffith University/Divulgação)

Mudança climática como fator de risco

A pesquisa esclarece que os cristais de sal podem se expandir mais rapidamente quando são expostos a mudanças repetidas entre condições úmidas e períodos de seca prolongada. A Indonésia é conhecida por ter uma estação chuvosa na época das monções e a estação seca anual, mas isso vem sofrendo mudança à medida que a temperatura continua aumentando.

Os cientistas afirmam que a mudança climática pode deixar fenômenos como o El Niño mais intensos no futuro. O que poderá amplificar as condições que ajudam a formar os nocivos cristais de sal.

O novo estudo, liderado pela Universidade Griffith, da Austrália, foram examinadas 11 artes rupestres nas cavernas de Sulawesi do Sul e descobertas evidências de formação de sal em todas elas. Em três dos locais, os pesquisadores encontraram os tipos de cristais que mais causam a quebra das rochas.

Apesar de ser uma pequena amostra perto dos mais de 300 locais de arte rupestre conhecidos nessa região da Indonésia, o estudo sugere que os cristais de sal podem de fato ser parte do problema.

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