Ciência

Nova espécie de humanos pode ter vivido em Israel há 100.000 anos

Cientistas encontraram pedaços de ossos que não estão associados nem aos neandertais nem aos Homo sapiens

Por João Paulo Martins  em 24 de junho de 2021

Cientistas ainda não confirmaram, mas os pedaços de ossos humanos descobertos num fosso de Nesher Ramla, em Israel, podem ser de uma nova espécie humana (Foto: Avi Levin and Ilan Theiler/Tel Aviv Univiversity/Divulgação)

Cientistas encontraram ossos fossilizados num antigo fosso em Israel que podem pertencer a uma espécie até então desconhecida de humanos que viveram há mais de 100.000 anos. Os achados foram descritos em estudo que sai nesta sexta (25/6) na revista científica Science.

Como mostra o jornal britânico The Guardian, os pesquisadores desenterraram os ossos ao lado de ferramentas de pedra e restos de cavalos, gazelas e bois selvagens no sítio pré-histórico de Nesher Ramla, perto da cidade de Ramla, no centro de Israel.

Os restos fossilizados, descritos como “uma grande descoberta”, têm características distintas dos neandertais e do Homo sapiens que viveram na região na mesma época. Enquanto os cientistas não reconhecem oficialmente como uma nova espécie de humanos, eles acreditam que os indivíduos de Nesher Ramla podem ter desempenhado um papel importante em nossa história evolutiva, segundo o periódico.

(Foto: Reuters.com/Reprodução)

Como os fósseis mais antigos dos homens de Neandertal foram encontrados na Europa, muitos antropólogos suspeitam que nossos “primos” teriam vivido apenas no continente europeu. Mas um estudo publicado em 2017 na revista científica Nature Communications lançou dúvidas sobre essa suposição e mostrou que um até então misterioso grupo de humanos extintos foram responsáveis pelas sobrancelhas grossas dos neandertais.

Análise da anatomia dos ossos de Nesher Ramla revela que é mais primitiva do que a do homem de Neandertal da Eurásia e do Homo sapiens na região do Levante (local histórico da Ásia que envolve o Oriente Médio), levando pesquisadores a argumentar que o grupo, denominado Nesher Ramla Homo, pode contribuído para a evolução dos neandertais, revela o The Guardian.

“Junto com outros estudos, nosso trabalho destrói a imagem simples de humanos modernos saindo da África e de neandertais vivendo na Europa. A história é muito mais complexa. A ideia é que o que descobrimos são os últimos sobreviventes de uma população que contribuiu para o desenvolvimento dos neandertais. Eles viviam com o Homo sapiens”, diz o pesquisador Yossi Zaidner, da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, citado pelo jornal britânico.

(Foto: Reuters.com/Reprodução)

Ossos do período Pleistoceno

O estudo recente analisou um crânio parcial, um osso da mandíbula e um dente. Os ossos deixaram os cientistas em dúvida se outros restos mortais humanos encontrados na região poderiam ser membros do mesmo grupo.

Há um debate sobre a identidade dos fósseis humanos encontrados nas cavernas Qesem, Mugharet el-Zuttiyeh e Tabun, todas em Israel. Esses podem ser candidatos a se juntar aos indivíduos que viveram no Pleistoceno Médio (entre 355.000 e 82.800 anos atrás) em Nesher Ramla.

O fosso onde os ossos foram encontrados estava cheio de detritos quando os cientistas escavaram o local. Mas, no passado distante, acredita-se que o buraco continha água e atraiu animais, que por sua vez trouxeram humanos que os caçavam.

Carregar Mais