Ciência

Mamífero pré-histórico recebe o nome de um personagem do livro O Hobbit

Beornus honeyi, que ganhou o nome do misterioso personagem de J. R. R. Tolkien, é uma das três espécies de mamíferos ancestrais que surgiram logo após a extinção dos dinossauros

Por João Paulo Martins  em 19 de agosto de 2021

Representação artísticas das três espécies de mamíferos ancestrais: da esq. para a dir., o Conacodon hettingeri, o Miniconus jeanninae e o Beornus honeyi. (Foto: University of Colorado Boulder/Banana Art Studio/Divulgação)

O escritor sul-africano J. R. R. Tolkien ficou famoso pela obra O Senhor dos Anéis (1954), mas seu livro O Hobbit (1937), além de apresentar os personagens pequeninos com pés peludos, trouxe o misterioso caçador de peles Beorn, que acaba de ceder o nome a um mamífero pré-histórico.

No estudo publicado na última segunda (17/8) no periódico científico Journal of Systematic Palaeontology, são descritas três novas espécies de antigos animais que evoluíram rapidamente após a extinção em massa dos dinossauros e deram origem aos mamíferos modernos.

Esses mamíferos pré-históricos vagaram pela América do Norte durante o período Paleoceno (entre 65 milhões e 55 milhões de anos atrás), informa o site americano de notícias científicas Phys.org.

A descoberta, baseada em partes de ossos e dentes da mandíbula inferior, sugere que eles se diversificaram mais rapidamente do que se pensava.

Cientistas usaram pedaços de ossos e mandíbulas para classificar as três espécies pré-históricas de mamíferos (Foto: University of Colorado Boulder/Divulgação)

As criaturas foram denominadas Miniconus jeanninae, Conacodon hettingeri e Beornus honeyi (em homenagem ao personagem de O Hobbit). Eles possuem diferentes tamanhos, variando de um equivalente ao gato doméstico a um rato.

No caso do Beornus honeyi, de acordo com o site, sua aparência peluda com grandes dentes molares inchados lembra o caçador de peles da obra de Tolkien, pois ele era capaz de se transformar num urso enorme.

O estudo recém-publicado revela que os animais pertencem a uma classe de mamíferos placentários chamados ungulados arcaicos, ancestrais de espécies com cascos como cavalos, elefantes, vacas e hipopótamos.

As três novas espécies pertencem se distinguem de outros ungulados por seus dentes, que têm pré-molares inchados e estrias verticais no esmalte. Os pesquisadores acreditam que fossem onívoros porque desenvolveram dentes que lhes permitiam triturar plantas e carne.

“Quando os dinossauros foram extintos, o acesso a diferentes alimentos e ambientes permitiu que os mamíferos rapidamente florescessem e diversificassem a anatomia dentária e evoluíssem o tamanho do corpo. Eles claramente aproveitaram a oportunidade, como vemos pelas novas espécies de mamíferos que ocorreram num período relativamente curto após a extinção em massa [dos dinossauros]”, afirma a pesquisadora Madelaine Atteberry, da Universidade do Colorado Boulder, nos EUA, principal autora do estudo, citada pelo Phys.org.

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