Ciência

Hubble captura imagem inédita: um buraco negro dando origem a uma estrela

O fenômeno, até então desconhecido, se dá na galáxia Henize 2-10, que fica a 30 milhões de anos-luz da Terra

Por João Paulo Martins  em 20 de janeiro de 2022

O pequeno buraco negro (Massive Black Hole) e a estrela em formação (dir.)  (Foto: YouTube/NASA Goddard/Reprodução)

 

Cientistas fizeram uma descoberta incrível: um buraco negro “dando à luz” estrelas. O achado se deu na galáxia anã conhecida como Henize 2-10, que fica a 30 milhões de anos-luz da Terra.

O estudo, publicado na última quarta (19/1) na revista científica Nature, revela que os buracos negros nem sempre são os objetos violentos e destrutivos como se imagina. Em vez disso, eles parecem ser capazes de criar estrelas, não apenas “comê-las”.

Pesquisadores usaram dados capturados pelo telescópio espacial Hubble, da Nasa. Além de sugerir que os buracos negros podem ser mais produtivos do que imaginávamos, a nova pesquisa também pode ajudar a entender a origem desses objetos espaciais supermassivos.

“Desde o início eu sabia que algo incomum e especial estava acontecendo em Henize 2-10 e, agora, o Hubble forneceu uma imagem muito clara da conexão entre o buraco negro e uma região vizinha de formação de estrelas localizada a 230 anos-luz dele”, explica a pesquisadora Amy Reines, da Universidade Estadual de Montana (EUA), coautora do estudo, citada pelo jornal britânico The Independent.

Em galáxias maiores, o material que cai em direção ao buraco negro é dilacerado por seus campos magnéticos, que criam explosões de plasma que se movem quase à velocidade da luz. Qualquer nuvem de gás capturada nesse jato seria aquecida demais para criar estrelas, segundo os cientistas.

Mas o buraco negro na galáxia anã Henize 2-10 é menor e o material sai dele de forma mais suave. Isso significa que o gás foi comprimido da maneira certa para ajudar a formar estrelas, não para impedir a criação delas.

“A apenas 30 milhões de anos-luz de distância, Henize 2-10 está perto o suficiente para que o Hubble ser capaz de capturar imagens e evidências espectroscópicas com muita clareza. A surpresa adicional foi que, em vez de suprimir a formação de estrelas, o fluxo estava provocando o nascimento de novas”, afirma o pesquisador Zachary Schutte, também da Universidade Estadual de Montana, o outro autor do estudo, citado pelo The Independent.

O novo estudo também pode ajudar a fornecer detalhes sobre como esses buracos negros supermassivos são formados. Por ter permanecido pequeno, pode oferecer uma imagem de como outros buracos negros eram quando jovens e como podem se formar e crescer.

 

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