Ciência

Fóssil raro de ave que viveu há 120 milhões de anos revela cauda enorme e nada prática

A espécie Yuanchuavis kompsosoura devia usar a cauda, que era maior que o próprio corpo, para atrair as fêmeas, afirmam os cientistas

Por João Paulo Martins  em 17 de setembro de 2021

O Yuanchuavis kompsosoura tinha uma cauda que equivalia a cerca de 1,3 vezes o corpo (Foto: Wang et al./Current Biology/Reprodução)

 

Algumas aves modernas costumam usar as penas para chamar a atenção, como é o caso do pavão. Mas encontrar vestígios desse tipo de comportamento em aves ancestrais é algo raro.

No estudo publicado na última quinta (16/9) no periódico científico Current Biology, cientistas analisaram o fóssil de um dinossauro emplumado de 120 milhões de anos, mais ou menos do tamanho de um gaio-azul (pássaro parente do corvo), com uma cauda muito longo e extravagante.

De acordo com o site americano de notícias científicas Science Alert, a ave ancestral foi encontrada no nordeste da China e batizada de Yuanchuavis kompsosoura, em homenagem a um pássaro da mitologia chinesa que é parecido com a lendária fênix.

É a primeira vez que um fóssil da era Mesozoica semelhante a um pássaro foi descoberto com uma gama tão complexa de penas na cauda, revela o site.

O Yuanchuavis tinha uma cauda cinza e um par de longas plumas pretas que se estendiam por cerca de 30 centímetros, ou 1,3 vezes o comprimento do corpo da ave.

 

A cauda do pássaro ancestral servia para atrair as fêmeas mas atrapalhava na hora de fugir dos predadores (Foto: Wang et al./Current Biology/Reprodução)

 

Junto com o leque de penas mais curtas, a espécie ancestral também usava a cauda para atrair as parceiras, segundo o Science Alert. Só que essa vantagem no acasalamento atrapalhava quando o pássaro precisava voar e fugir de predadores.

“Os cientistas chamam uma característica como a cauda grande e elegante de ‘sinal honesto’, porque é prejudicial. Então se o animal que a possui consegue sobreviver com essa deficiência, é sinal de que realmente é capaz. A fêmea devia olhar para o macho com as pesadas penas da e pensar: ‘droga, se ele é capaz de sobreviver mesmo com uma cauda tão ridícula, deve ter genes realmente bons’”, comenta o paleontologista Jingmai O’Connor do Museu Field de História Natural, de Chicago (EUA), um dos autores do estudo, citado pelo site especializado.

O Yuanchuavis pertence a um grupo de aves mesozoicas chamadas enantiornithes, que conviveram com as euornithes, que deram origem aos pássaros modernos. Depois de coexistirem por cerca de 65 milhões de anos, apenas um grupo sobreviveu ao evento de extinção em massa que exterminou a maioria dos dinossauros.

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