Ciência

Fim do olho seco? Cientistas criam glândula lacrimal com célula-tronco

Pesquisadores da Holanda conseguiram cultivar organoides em miniatura de glândulas lacrimais capazes de produzir lágrimas

Por João Paulo Martins  em 16 de março de 2021

(Foto: Freeimage)

Cientistas holandeses criaram em laboratório glândulas lacrimais humanas capazes de produzir lágrimas. No futuro, esses organoides poderão ser transplantados em pessoas que sofrem de olho seco.

As glândulas lacrimais ficam no canto interno dos olhos e são responsáveis pela lubrificação, graças ao fluido rico em proteínas que produzem. A lágrima também ajuda a remover poeira e bactérias para manter os olhos limpos e saudáveis. No entanto, algumas pessoas não conseguem produzir o suficiente.

O estudo liderado pelo pesquisador Hans Clevers, do Instituto Hubrecht, na Holanda, e publicado nesta terça (16/3) no periódico científico Cell Stem Cell, pode ter encontrado uma maneira de ajudar as vítimas da síndrome do olho seco.

Como foi realizada a pesquisa

Os cientistas criaram organoides em miniatura usando amostras de células-tronco de tecidos saudáveis de glândulas lacrimais. As estruturas foram isoladas e tratadas com um coquetel de proteínas, chamadas de fatores de crescimento, para ajudá-las a se transformarem em glândulas lacrimais.

“As células-tronco adultas já são especializadas e sabem o que fazer. Só precisamos incentivá-las com fatores de crescimento. Isso acontece em questão de dois ou três dias. Você vê pequenas estruturas císticas que se transformam em organoides”, comenta Clevers, citado pelo site científico New Scientist.

Os organoides das glândulas lacrimais medem apenas 0,2 mm de diâmetro e podem ser cultivados e multiplicados em laboratório por até um ano.

Simulando glândulas reais

A equipe holandesa queria ver se essas estruturas em miniatura poderiam produzir lágrimas.

Nossas glândulas lacrimais geralmente produzem lágrimas em três contextos distintos: para lubrificação constante dos olhos; após contato físico para reduzir o risco de lesões; e em momentos emocionais, em virtude da liberação de hormônio no cérebro.

Os organoides foram tratados com noradrenalina (hormônio do cérebro que nos faz chorar) e, após meia hora, eles começaram a inchar e se encher de fluido, o mesmo que forma nossas lágrimas, diz Hans Clevers ao site especializado.

Para testar se as glândulas lacrimais cultivadas em laboratório poderiam ser transplantadas, elas foram inseridas nos olhos de cobaias. Duas semanas depois, os organoides formaram estruturas semelhantes a dutos lacrimais, que permaneceram nos camundongos por, pelo menos, dois meses após o transplante.

A intenção é que esses organoides possam tratar uma série de doenças que resultem em olho seco.

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