Ciência

Estudo alerta para “zona cega” do céu que pode esconder asteroides perigosos

Segundo os cientistas, rochas espaciais potencialmente perigosas que passam por uma parte do céu não seriam detectadas com a devida antecedência

Por João Paulo Martins  em 17 de janeiro de 2022

(Foto: Pixabay)

 

Em estudo que sairá publicado na edição de fevereiro da revista científica Icarus, astrônomos revelam uma “zona cega” do nosso céu na qual asteroides potencialmente perigosos podem “se esgueirar” em direção à Terra sem serem detectados com antecedência.

Os cientistas financiados pela Nasa descobriram que objetos espaciais que se aproximam pela região leste do céu noturno podem parecer estacionários devido a uma peculiaridade associada à rotação terrestre e ao movimento de translação.

Isso significa que eles não são detectados com antecedência pela rede de telescópios destinados a procurar tais ameaças.

Segundo o jornal britânico The Telegraph, a pesquisa começou após a comunidade astronômica ter ficado preocupada quando o asteroide 2019 OK passou raspando pela Terra em julho de 2019. Com aproximadamente 100 m de diâmetro, a rocha espacial passou pelo nosso planeta a apenas 70.000 km de distância. E ainda pior, só foi detectada 24 horas antes.

O periódico britânico lembra que o Congresso dos EUA deu à Nasa a tarefa de identificar 90% dos asteroides de 140 m de diâmetro ou mais, tamanho que poderia causar devastação numa grande cidade ou pequeno estado.

O novo estudo coincide com o tema retratado pelo filme Não Olhe para Cima (Don't Look Up), recém-lançado pela plataforma Netflix, que apresenta Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence como cientistas tentando alertar o público, nada receptivo, sobre um cometa que está em rota de colisão com a Terra.

Citado pelo The Telegraph, o pesquisador Richard Wainscoat, da Universidade do Havaí (EUA), que liderou o estudo, diz que as pessoas “não devem perder o sono” devido à possibilidade de serem atingidas por um asteroide devastador. “No caso de encontrarmos algo que vai atingir a Terra, faremos algo a respeito. Não é uma questão de encontrar e ficar sentado esperando bater”, comenta o cientista.

Os algoritmos (códigos de programação) que controlam os telescópios de observação à procura de asteroides são programados para sinalizar objetos em movimento, para evitar identificar erroneamente fenômenos como as supernovas (explosão de uma estrela).

Isso leva em conta o fato de que os objetos que se aproximam da Terra parecem se deslocar para o oeste no céu por causa da rotação da Terra, que é no sentido leste em relação a seu eixo, explica o jornal britânico.

No entanto, quando os asteroides se aproximam da Terra a partir do lado oriental, a rotação do planeta e sua órbita curva ao redor do Sol podem fazer os objetos parecerem estacionários, de acordo com os cientistas.

O estudo afirma que 50% dos objetos espaciais perigosos que se aproximam da Terra a partir do leste podem passar por períodos de “câmera lenta” e, assim, dificultar a detecção precoce.

Não fosse esse fenômeno, asteroides do tamanho do 2019 OK seriam detectáveis até quatro semanas antes do suposto impacto.

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