Ciência

Empresa tira CO2 da atmosfera e transforma em diamante

O processo de criação da pedra preciosa pela Aether Diamonds, dos EUA, pode levar até quatro semanas

Por João Paulo Martins  em 05 de outubro de 2021

Todas essas joias da Aether possuem diamantes feitos a partir de CO² (Foto: Facebook/aetherdiamonds/Reprodução)

 

O aquecimento global provocado especialmente pela emissão de monóxido de carbono (CO²) na atmosfera é um dos grandes dilemas da humanidade, já que vem causando inúmeros efeitos no clima em todo o mundo.

A boa notícia é que existem empresas capazes de usar o CO² que polui nosso ar. De acordo com o portal Yahoo!, um exemplo é a Aether Diamonds, que fica em Nova Iorque, nos EUA, e que cria joias com diamante feito a partir de gás carbônico capturado da atmosfera.

“Somos o primeiro e único fabricante do planeta a produzir diamantes a partir do carbono capturado”, comenta Ryan Shearman, fundador e CEO da empresa, citado pelo portal.

Ele explica que a Aether remove 20 toneladas de CO² do ar para cada quilate de diamante que vendem. Seria o equivalente a cerca de 4,3 piscinas olímpicas cheias desse gás tóxico.

“Ao contrário dos diamantes normais cultivados em laboratório ou dos extraídos, não estamos sentados aqui discutindo sobre qual processo prejudica menos o planeta. Invertemos esse paradigma. Estamos produzindo diamantes que trazem um benefício tangível para o meio ambiente, para o planeta e para as pessoas que vivem nele”, diz o CEO, citado pelo Yahoo!

As joias fabricadas com pedras preciosas à base de monóxido de carbono podem custar entre US$ 1.000 (R$ 5.480) e US$ 45.000 (R$ 246.600).

 

Pedra bruta de diamante “cultivada” a partir de hidrocarboneto gerado pelo CO² retirado do ar (Foto: Facebook/aetherdiamonds/Reprodução)

 

Como é feito o diamante de CO²

 

Em seu site oficial, a Aether Diamonds explica que após aspirar o ar, o CO2 é capturado por um filtro especial. Em seguida, ele é transformado numa matéria-prima chamada hidrocarboneto, que será usado no “cultivo” de diamantes.

“Todos os outros diamantes cultivados em laboratório usam carbono proveniente de combustíveis fósseis por meio de perfuração de petróleo. Temos orgulho de ser o primeiro diamante do mundo a usar carbono de uma fonte que não é da terra”, diz a empresa em seu site.

Os hidrocarbonetos são então colocadas em poderosos reatores que criam o ambiente ideal para o “cultivo” de um diamante. Ou seja, na pressão adequada, os átomos de carbono são induzidos a se alinharem para formar um cristal perfeito.

“Toda a energia usada para impulsionar o crescimento de nossas criações vem de fontes limpas e sustentáveis”, esclarece a Aether.

A empresa americana diz que um diamante leva de três a quatro semanas para chegar à “perfeição” estética e estrutural. A partir daí, as pedras brutas são enviadas aos ourives para serem lapidadas e polidas e transformadas em joias.

“Descobrimos que os consumidores estão dispostos a pagar por pedras como as nossas, obtidas de forma benéfica para o planeta e que nos dão uma espécie de força competitiva única no mercado”, comenta Ryan Shearman, citado pelo Yahoo!

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