Ciência

Cientistas descobrem que elétrons da Terra estão formando água na Lua

Quando nosso satélite natural passa pela cauda magnética da Terra, há indução de formação de água em sua superfície

Por João Paulo Martins  em 15 de setembro de 2023

Mapa da superfície lunar com os diferentes níveis de água (Foto: S. Li et al./Nature Astronomy/Divulgação)

 

Um estudo liderado pela Universidade do Havaí, em Mānoa, nos EUA, descobriu que elétrons de alta energia do entorno da Terra estão contribuindo para os processos de intemperismo na superfície da Lua e, mais importante, podem ter ajudado na formação da água presente na superfície lunar. Essa pesquisa foi publicada na última quinta (14/9) na revista científica Nature Astronomy.

Compreender a formação da água na Lua pode ajudar na futura exploração humana do satélite natural. A nova descoberta também pode ajudar a explicar a origem do gelo descoberto nas regiões lunares que ficam permanentemente sombreadas.

Como mostra o site de notícias científicas Phys.org, tudo começa com o magnetismo da Terra, que gera um campo de força ao redor do planeta, conhecido como magnetosfera, que nos protege das intempéries espaciais e da radiação prejudicial do Sol. O vento solar remodela a magnetosfera, formando uma longa cauda no lado contrário. O plasma dentro dessa cauda magnética possui elétrons e íons de alta energia, provenientes da Terra e do vento solar.

Anteriormente, os cientistas acreditavam que o vento solar, composto de partículas de alta energia, como prótons, ao bombardear a superfície lunar, era um dos principais formadores de água na Lua.

 

Magnetosfera da Terra (Foto: NASA's Scientific Visualization Studio/Space Weather Research Center/Community-Coordinated Modeling Center/Space Weather Modeling Framework/Divulgação)

 

No novo estudo, cientistas descobriram que o oxigênio presente na cauda magnética da Terra estava enferrujando o ferro nas regiões polares da Lua, à medida que o satélite passava pela área de influência da nossa magnetosfera. Ao mesmo tempo, a superfície lunar ficava protegida do vento solar.

“Quando a Lua está fora da cauda magnética, a superfície lunar é bombardeada com vento solar. Dentro da cauda magnética, quase não há prótons do vento solar e a expectativa era que a formação de água caísse para quase zero”, comenta o pesquisador Shuai Li, citado pelo Phys.org.

Mas ao analisarem dados de sensoriamento remoto coletados pela missão Chandrayaan 1, da Índia, entre 2008 e 2009, os cientistas identificaram mudanças na formação da água à medida que a Lua atravessava a cauda magnética da Terra, incluindo a camada de plasma.

“Para minha surpresa, as observações de sensoriamento remoto mostraram que a formação de água na cauda magnética da Terra é quase idêntica ao período em que a Lua ficava fora da cauda magnética terrestre. Isso indica que, na cauda magnética, pode haver processos de formação adicionais ou novas fontes de água não diretamente associadas aos prótons do vento solar. Em particular, a irradiação de elétrons de alta energia exibe efeitos semelhantes aos dos prótons do vento solar”, explica o pesquisador da Universidade do Havaí.

Ele conta que pretende realizar novas pesquisas, trabalhando em parceria com a missão lunar Artemis, da Nasa, para monitorar o ambiente de plasma e o conteúdo de água na superfície polar da Lua, nos momentos em que nosso satélite natural atravessa a cauda magnética da Terra.

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