Ciência

Cientistas alertam para perigoso enfraquecimento da Corrente do Golfo

Corrente marítima responsável pelo transporte de água quente e fria no oceano Atlântico está em seu ponto mais fraco dos últimos 1.000 anos

Por João Paulo Martins  em 27 de fevereiro de 2021

O enfraquecimento da Corrente do Golfo pode levar ao aumento do nível do mar e a maior número de furacões na região do Caribe e dos EUA (Foto: The Scientist/Reprodução)

A Corrente do Golfo, uma corrente marítima que carrega água quente das regiões tropicais para o norte do oceano Atlântico e leva água fria de volta para o sul, está em seu ponto mais fraco dos últimos 1.000 anos, alerta novo estudo.

A pesquisa, publicada na última quinta (25/2) na revista científica Nature Geosciences, alinha-se com as previsões e descobertas anteriores sobre os efeitos da mudança climática sobre a chamada Circulação Meridional de Capotamento do Atlântico (Atlantic Meridional Overturning Circulation), que faz parte da Corrente do Golfo.

Cientistas britânicos compararam os resultados de 11 indicadores de força da circulação do Atlântico. Foram analisados índices que incluíam simulações de padrões de temperatura do oceano e de sedimentos do fundo do mar, remontando a cerca de 400 a.C. Os dados de nove dos indicadores indicam um “quadro consistente” de enfraquecimento sem precedentes da circulação, alerta o estudo.

Entenda a Corrente do Golfo (tem legenda em português):

Pequena Idade do Gelo

A pesquisa encontrou um enfraquecimento inicial da Circulação Meridional de Capotamento do Atlântico em meados de 1800, correspondendo ao final de um período relativamente frio conhecido como Pequena Idade do Gelo, e um declínio mais acentuado começando em meados de 1900, conforme os efeitos humanos sobre o clima se aceleraram.

De acordo com o artigo recém-publicado, há um declínio de cerca de 15% na força da circulação desde meados do século XX. Isso afetará a pesca e poderá levar ao aumento do nível do mar e a furacões mais frequentes na costa leste dos Estados Unidos, bem como a eventos climáticos mais extremos na Europa.

“Se isso continuar, as consequências sociais serão bastante significativas. O aumento acelerado do nível do mar ao longo da costa leste dos EUA, já estamos vendo”, comenta Philip Duffy, diretor do Woodwell Centro de Pesquisa Climática, de Massachusetts (EUA), citado pelo site The Scientist.

Os cientistas alertam que se continuarmos impulsionando o aquecimento global, o enfraquecimento da Corrente do Golfo pode chegar a 34% ou 45% até 2100.

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