Ciência

Cães já nascem com capacidade de entender os humanos

Estudo descobre que os cachorros são geneticamente preparados para compreender feições e gestos dos tutores

Por João Paulo Martins  em 04 de junho de 2021

(Foto: Freepik)

Filhotes de cachorro já nascem capazes de se comunicar com as pessoas e não precisam de treinamento ou prática para entender o que o dono está dizendo, revela estudo publicado na última quinta (3/6) no periódico científico Current Biology.

As descobertas revelam que os cães nascem com uma capacidade de compreender rostos e gestos humanos associada à herança genética.

Os cientistas afirmam que essa sinergia entre o homem e o cachorro provavelmente remonta às origens do relacionamento entre as duas espécies.

“Desde tenra idade, os cães exibem habilidades sociais semelhantes às humanas, com forte componente genético, o que significa que essas habilidades têm grande potencial para serem selecionadas”, afirma a pesquisadora Emily Bray, da Universidade do Arizona (EUA), principal autora do estudo, citada pelo jornal britânico The Telegraph.

Segundo ela, provavelmente os animais com maior propensão para a comunicação com nossa própria espécie podem ter sido selecionados nas populações de lobos que deram origem aos cães modernos.

Predisposição para entender os tutores

O estudo lembra que ainda não se sabe como humanos e cachorros começaram a coabitar, mas é provável que os primeiros lobos tenham sido escolhidos para serem domesticados com base em seus comportamentos e disposição para prestar atenção e ouvir o tutor.

Ao longo de milênios, isso levou ao pet extremamente obediente que vemos hoje.

Os cientistas analisaram 375 cachorros com 8 semanas de vida que seriam treinados para ajudar pessoas com deficiência.

Os filhotes foram escolhidos porque, de acordo com os pesquisadores, não tiveram muita chance de aprender ou praticar como se comunicar com os humanos.

Um dos testes realizados no estudo foi esconder a comida da visão do cão, que deveria farejá-la sem qualquer ajuda e encontrá-la num dos dois locais possíveis.

A pesquisa mostra que os filhotes acertaram apenas 48,9% das vezes, ou seja, abaixo da probabilidade de 50% que tinham, se fossem apenas adivinhar.

Mas, quando as pessoas se envolviam e apontavam para onde o lanche estava escondido, os cães apresentaram performance muito maior. Na primeira vez que um humano se ajoelhou e apontou para a comida, 70% dos animais foram ao lugar certo.

Além disso, os tutores usaram contato visual com o filhote para indicar o local do petisco e os cientistas descobriram que, quando o cão recebia a ajuda, passavam quase seis vezes mais tempo olhando para o rosto do humano.

“As descobertas sugerem que, como crianças humanas, os filhotes se destacam em compreender e responder a sinais sociais iniciados por humanos”, afirmam os pesquisadores no estudo.

Influência genética na relação homem e cachorro

Como mostra o The Telegraph, todos os cães usados no estudo tinham a mesma linhagem, então os cientistas sabiam exatamente quão próximos eles eram geneticamente.

Esse fator serviu para entender como a genética afetou a capacidade dos filhotes de perceber as pistas humanas. Portanto, o fator genético que permite ao cachorro “ler” as feições e os gestos dos tutores chega a 43%, de acordo com os cientistas.

“Esse número é bastante elevado, muito parecido com a estimativa da herança genética da inteligência em nossa própria espécie. As descobertas sugerem que os cães são biologicamente preparados para se comunicarem com os humanos”, comenta Emily Bray, citada pelo jornal britânico.

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