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Após viralizar com imagem criada por computador, papa Francisco pede que IA não seja usada de forma antiética

Em encontro com cientistas e tecnólogos no Vaticano, o líder da Igreja Católica elogiou as inovações digitais, mas pediu que não sejamos dominados pelos algoritmos

Por João Paulo Martins  em 29 de março de 2023

Criada por IA, imagem do papa Francisco usando uma estilosa jaqueta de frio viralizou nas redes sociais (Foto: Twitter/skyferrori/Reprodução)

 

Após viralizar nas redes sociais com uma imagem criada por inteligência artificial (IA), em que aparece vestindo uma jaqueta branca de frio bastante estilosa, papa Francisco aplaudiu os “benefícios da tecnologia”, quando usados para o bem comum, mas alertou sobre “o uso da IA de forma antiética ou irresponsável”.

O comentário do líder da Igreja Católica se deu durante discurso na última segunda (27/3) no evento chamado Diálogos de Minerva, encontro anual com cientistas e especialistas, organizado pelo Dicastério para a Educação e a Cultura do Vaticano, em Roma.

O evento reuniu especialistas do mundo da tecnologia – cientistas, engenheiros, empresários, advogados e filósofos – e representantes da Igreja – oficiais da Cúria, teólogos e eticistas – com o objetivo de estudar e promover uma maior conscientização sobre o impacto social e cultural das tecnologias digitais, em particular da inteligência artificial.

Em seu discurso, Francisco disse que valoriza esse diálogo contínuo, especialmente porque envolve a discussão sobre o uso responsável da tecnologia, uma discussão que ele chamou de “aberta aos valores religiosos”. “Estou convencido de que o diálogo entre crentes e não crentes sobre questões fundamentais de ética, ciência e arte, e sobre a busca do sentido da vida, é um caminho para a paz e para o desenvolvimento humano integral”, afirmou o Sumo Pontífice, citado pela agência católica de notícias Vatican News.

Ele reconheceu que a tecnologia tem sido “imensamente benéfica” para a humanidade, especialmente nos campos da Medicina, Engenharia e Comunicações, e observou que ela seria "evidência da criatividade dos seres humanos e da nobreza de sua vocação para participar responsavelmente da ação criativa de Deus”.

 

(Foto; Facebook/Reprodução)

 

Tecnologia com ética

 
Papa Francisco disse aos participantes do Diálogos de Minerva que está convencido de que o desenvolvimento da inteligência artificial e do aprendizado de máquina tem potencial para contribuir de "maneira positiva para o futuro da humanidade”.

“Ao mesmo tempo, estou certo de que esse potencial só será realizado se houver um compromisso constante e consistente por parte daqueles que desenvolvem essas tecnologias para agir com ética e responsabilidade”, completou o líder católica, citado pela agência de notícias.

Ele agradeceu o consenso que surgiu sobre a necessidade de “processos de desenvolvimento” para “respeitar valores como inclusão, transparência, segurança, equidade, privacidade e confiabilidade” da área de IA. Francisco aproveitou para saudar os esforços de organizações internacionais na regulamentação das novas tecnologias, para que “promovam um progresso genuíno, contribuindo, ou seja, para um mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior”.

 

(Foto; Facebook/Reprodução)

 

IA não mede dignidade humana

 
Em meio à discussão sobre os benefícios das tecnologias digitais, papa Francisco comentou com os participantes do encontro que “o conceito de dignidade intrínseca ao ser humano exige que reconheçamos e respeitemos o fato de que o valor fundamental de uma pessoa não pode ser medido apenas por dados”. “Na tomada de decisões sociais e econômicas”, continuou ele, “devemos ser cautelosos ao delegar julgamentos a algoritmos que processam dados, muitas vezes coletados sub-repticiamente, sobre a constituição e o comportamento anterior de um indivíduo”.

Ele alertou ainda para o fato de a computação ter o risco de ser “contaminada” por preconceitos da sociedade – de quem cria a programação. “O comportamento passado de uma pessoa não deve ser usado para negar a ela a oportunidade de mudar, crescer e contribuir para a sociedade”.

Francisco pediu que que os algoritmos não sejam uma forma de limitar ou condicionar o “respeito pela dignidade humana”, nem que exclua a compaixão, a misericórdia, o perdão e, acima de tudo, a esperança de que as pessoas sejam capazes de mudar.

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