Brasil

É permitido usar símbolos nazistas como o jovem no shopping de Caruaru?

Saiba que o Brasil proibe qualquer apologia ao nazismo, com risco de prisão por até cinco anos, além de multa

Por João Paulo Martins  em 17 de junho de 2021

Um jovem não identificado de Caruaru (PE) achou que andar com uma suástica no braço dentro de um shopping era permitido no Brasil (Foto: G1/Reprodução)

Nesta quinta (17/6), está circulando nas redes sociais o vídeo de um jovem usando uma braçadeira com a cruz suástica, símbolo do nazismo, e caminhando no Caruaru Shopping, que leva o nome da cidade do agreste de Pernambuco, a cerca de 136 km de Recife.

Nas imagens, dá para ver que o rapaz, que não foi identificado, está usando um moletom com a palavra Sabrina, em alusão à famosa série de bruxaria Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, exibida pela Rede Globo de 1998 a 2000, e que recebeu um remake da plataforma de streaming Netflix.

"Eu estou na minha liberdade", diz o jovem no vídeo que vem causando polêmica devido ao uso da cruz suástica, que tem origem budista, da Índia, e cujo nome significa "é bom" (em sânscrito), sendo associada à sorte, ao sucesso e à prosperidade.

"Em partes da Ásia onde o budismo é uma religião importante, a suástica é novamente um símbolo de bom presságio e é considerada as pegadas de Buda", diz um artigo do site americano de viagens Culture Trip.

Porém, esse símbolo foi apropriado pelo movimento fascista alemão nos anos 1930, tornando-se o maior símbolo do nazismo, regime ditatorial comandado por Adolf Hitler que culminou no holocausto, extermínio de seis milhões de judeus, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A xenofobia e o ódio racial associados ao símbolo máximo dos nazistas tornaram a suástica proibida em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

O parágrafo 1º do artigo 20 da Lei 7.716, de 1989, afirma que é proibido "fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo". Quem contraria a norma constitucional está sujeito a pena de reclusão de dois a cinco anos e multa.

Em nota divulgada em seu perfil no Facebook, o Caruaru Shopping diz que "repudia toda e qualquer forma de apologia ao movimento nazista".

"Diante do vídeo exposto nas redes sociais, informamos que o usuário, nitidamente conturbado, foi flagrado pelo sistema de segurança do empreendimento e, de imediato, como visto nas imagens, foi abordado por um de nossos seguranças e expulso do nosso shopping", afirma o estabelecimento pernambucano.

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