Bem-Estar

Lavar as mãos causa proliferação de bactérias nas pias, afirmam cientistas

Estudo britânico descobre que a higienização das mãos aumenta as comunidades bacterianas nos sifões da pia

Por João Paulo Martins  em 21 de abril de 2021

(Foto: Freepik)

O hábito de lavar as mãos está criando comunidades de bactérias nos sifões das pias dentro das casas, afirmam cientistas em estudo publicado nesta quarta (21/4) no jornal científico Environmental DNA.

Esse é a maior pesquisa sobre bactérias de pias conduzida fora de hospitais, segundo o site de notícias científicas EurekAlert. Ela foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Reading, no Reino Unido, que descobriram comunidades de bactérias que permanecem nos sifões após a lavagem das mãos.

O estudo identificou diferenças significativas entre as famílias de bactérias dominantes, dependendo da localização nas pias, e que os sifões sanfonado e fixo fornecem ambientes ideais para o crescimento dos micro-organismos.

“Nosso estudo revela que a diferença significativa nas famílias de bactérias entre diferentes edifícios mostra que uma série de fatores, incluindo a ocupação e o projeto do edifício, podem ter uma grande influência nos tipos de micro-organismos com as quais entramos em contato”, explica o pesquisador Hyun Soon Gweon, um dos autores do estudo, citado pelo EurekAlert.

Amostras de ambientes não hospitalares

Os cientistas coletaram amostras de 123 pias em ambientes não clínicos na Universidade de Reading, como banheiros e áreas de ensino, pesquisa e de socialização, e descobriram que as pias possuem um microbioma distinto dominado por certas bactérias.

A área do sifão nas pias revelou comunidades microbianas dominadas pelas proteobactérias, incluindo Salmonella e E. coli, que podem causar doenças graves, embora a proporção desses micro-organismos fosse baixa. Já as bactérias comuns Moraxellaceae e Burkholderiaceae, que podem causar infecções, apesar de normalmente serem inofensivas para os humanos, foram detectadas em concentrações mais altas.

Segundo os pesquisadores, o tipo de sifão teve um efeito significativo sobre qual família era mais abundante. Os do tipo possuíam bactérias Moraxellaceae, enquanto os sanfonados apresentaram maiores quantidades de Burkholderiaceae.

Os cientistas destacam que todas as pias onde as amostras foram coletadas eram limpas regularmente.

“Esperamos que nossas descobertas lembrem as pessoas de que a bactéria na mão muitas vezes permanece viva e capaz de crescer mesmo depois de lavada, mesmo na presença de sabão e água morna. É possível espalhar bactérias para as áreas circundantes da pia, onde podem crescer e persistir. A redução da transmissão de bactérias requer uma desinfecção completa das pias e áreas ao redor”, orienta Hyun Soon Gweon, citado pelo EurekAlert.

É importante dizer que, apesar de ter sido publicado nesta quarta (21/4), o estudo foi realizado em 2019, antes da pandemia causada pela covid-19. Portanto, não há influência direta do aumento na frequência de higienização das mãos ou outro comportamento de associado às medidas de prevenção do coronavírus.

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