Bem-Estar

Cientistas criam vacina contra os efeitos negativos dos emulsificantes pesentes em alimentos

Esses aditivos alimentares são conhecidos por induzirem as bactérias do intestino a causar inflamações

Por João Paulo Martins  em 20 de setembro de 2023

(Foto: Freepik)

 

Não é novidade que o consumo de emulsificantes, comuns em vários alimentos, podem causar problemas de saúde, como inflamação crônica. Agora, um estudo publicado na última terça (19/9), na revista científica PLOS Biology, revela uma vacina que protegeu cobaias contra os efeitos dos emulsificantes.

Os pesquisadores Melissa Kordahi e Benoit Chassaing, da Universidade da Cidade de Paris, na França, junto de outros colegas, usaram como base uma pesquisa que sugeriu que a ingestão de certos emulsificantes pode alterar a microbiota intestinal (micro-organismos que vivem naturalmente no intestino) e fazer com que micróbios invadam o revestimento protetor da mucosa intestinal e possam causar doenças crônicas, como inflamação. Essa alteração ocorre graças à proteína flagelina, produzida por muitas bactérias e que constitui os flagelos que elas usam para nadar e, portanto, acessar outras partes do organismo.

Com base nessa pesquisa anterior, Kordahi e colegas levantaram a hipótese de que treinar o sistema imunológico do intestino para atacar a flagelina pode ajudar a proteger contra as consequências prejudiciais do consumo de emulsificantes. Para testar essa ideia, ratos com indução de produção da flagelina foram alimentados, durante várias semanas, com alimentos contendo dois emulsionantes comuns: carboximetilcelulose (E466) e polissorbato 80 (E433).

Parte dessas cobaias receberam uma vacina que inibe a flagelina. Os animais imunizados não sofreram invasão de micróbios no revestimento da mucosa intestinal após a ingestão de emulsificantes. Além disso, a vacina também pareceu proteger contra a inflamação intestinal crônica e as desregulações metabólicas normalmente observadas após o consumo desses aditivos alimentares.

Ainda assim, os cientistas afirmam que são necessários novos estudos para aprofundar a compreensão do uso potencial da vacina contra a flagelina e até que ponto as descobertas poderão ser replicadas nos seres humanos.

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