Alimentação

Não é mentira: cientistas estão "plantando" carne

Na verdade, por meio da cevada geneticamente modificada é possível extrair uma proteína usada na produção de carne cultivada em laboratório

Por João Paulo Martins  em 17 de outubro de 2021

(Foto: Freepik)

 

Pesquisadores na Islândia estão cultivando mais de 100.000 plantas de cevada geneticamente modificadas dentro de uma estufa com um propósito nada usual: produção de carne cultivada em laboratório.

Segundo a emissora estatal britânica BBC, a cevada alterada é colhida e purificada para extrair proteínas chamadas “fatores de crescimento”, que, por sua vez, podem ser usadas para cultivar carne em laboratório.

Essa inovação pode fazer com que a indústria da carne cultivada em laboratório dependa cada vez menos de animais vivos.

A empresa responsável pela proeza é a ORF Genetics, situada em Kópavogur, na Islândia. Ela está cultivando cevada hidropônica alterada por engenharia genética numa área de mais de 2.000 m².

De acordo com a BBC, os fatores de crescimento extraídos das sementes da cevada desempenham um papel importante na manutenção das células-tronco. Em 2010, a ORF lançou um produto dermatológico que traz essa proteína.

Pouco mais de 10 anos depois, a empresa islandesa espera entrar no mercado de carne cultivada em laboratório. Como mostra a emissora britânica, os fatores de crescimento servem de estímulo para o surgimento de tecidos, incluindo músculos animais e células de gordura.

“A população está aumentando e temos que alimentar todas as pessoas”, comenta Arna Runarsdottir, diretora de tecnologia de proteínas da ORF Genetics, em entrevista à BBC.

Se os cientistas conseguirem produzir em larga escala, a carne cultivada em laboratório possui vantagens que poderiam ajudar a alimentar uma parcela maior da população.

“Não temos que matar todos esses animais, só temos que tirar a célula-tronco deles”, diz a diretora, observando que é uma opção mais sustentável em comparação com a carne cultivada da forma tradicional.

A emissora lembra que fatores de crescimento da ORF já estão sendo usados por várias empresas que fabricam produtos à base de carne cultivada em laboratório.

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